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Tuesday, January 7, 2014

Ver finalizadas as obras do Move (nome dado ao BRT, transporte rápido por ônibus, na sigla em inglês) e usar um transporte público de qualidade certamente estão entre os desejos de muitos belo-horizontinos para este novo ano. Se a promessa da prefeitura se cumprir, a primeira fase do sistema será inaugurada em 15 de fevereiro. No entanto, a integração dos coletivos convencionais ao novo modelo será feita gradativamente, e as obras não terão fim nem após a abertura das estações.

Na etapa inicial de implantação, o Move vai operar com apenas 36,3% da capacidade de passageiros no trecho entre a avenida Cristiano Machado e o centro. De acordo com a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), serão cerca de 120 mil usuários por dia – o correspondente a 60 mil pessoas que vão para o centro na parte da manhã e fazem o caminho de volta no fim do dia. Já quando a integração estiver completa, até 15 de abril, a expectativa é que 331 mil pessoas usem as linhas da Cristiano Machado e da área central.
Para evitar confusão entre usuários e operadores do Move, a inauguração do trecho foi dividida em três etapas, conforme explicou o supervisor de planejamento e pesquisa da BHTrans, Rogério Carvalho. “Essa divisão é feita para que a mudança ocorra mais naturalmente”, afirmou. No começo, apenas as linhas convencionais que já param no terminal São Gabriel serão integradas ao Move. Em dois meses, outras linhas que circulam pela região, mas não param na estação, passarão a desembarcar passageiros no local.

Reações. A mudança preocupa a auxiliar administrativa Edilaine de Freitas, 26, que todos os dias sai de Santa Luzia, na região metropolitana, na linha 4175, e segue direto para o centro da capital. “Fiquei sabendo que a linha será integrada ao terminal São Gabriel, mas prefiro que o ônibus continue indo direto.”

Já a cabeleireira Marinalva Pereira Lessa, 35, que usa a estação São Gabriel, acha que o Move trará benefícios. “Eu pego metrô até o centro e depois pego um ônibus para o bairro Gutierrez (na região Centro-Sul), onde trabalho. Será melhor se tiver uma linha do BRT direto para o Gutierrez”, declarou. Na primeira fase de inauguração do sistema, seis linhas partirão da estação São Gabriel com destinos distintos.

Sem resposta
Linhas. A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) não confirmou se a linha 4175 será integrada ao Move. A BHTrans também não revelou se haverá linha para o Gutierrez.

Expectativa de melhora no trânsito gera controvérsias
Prática. O mestre em engenharia de transportes Márcio Aguiar acredita que a melhora no trânsito da capital a ser obtida com o Move será pequena, devido à redução no número de ônibus, e que o sistema não vai atrair o usuário do carro. A opinião do engenheiro civil Berilo Torres é similar. “A única maneira de melhorar o trânsito é substituir o carro pelo transporte coletivo”. Já a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) informou que os usuários serão atraídos gradativamente.

Por Luciene Câmara
Informações: O Tempo

Sunday, January 5, 2014

A licitação do transporte público de Porto Alegre, postergada por décadas e prometida pelas autoridades para o final de 2013, só deve acontecer daqui a pelo menos três meses, segundo confirma o diretor–presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) Vanderlei Capelari. Os motivos são os atrasos no lançamento do edital do metrô e o julgamento de itens do cálculo tarifário no Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS).

“Março é quando a gente deve concluir dois pontos importantíssimos que é a questão do edital do metrô e é quando, acredito, que será feito o julgamento do Tribunal de Contas. São os dois itens que estão atrasando a publicação do edital”, afirma Capelari, explicando que  duas ações cautelares e uma autoria especial sobre o cálculo da tarifa tramitam na corte.

Segundo ele, sem a definição dessas duas questões, o edital não pode ser concluído, uma vez que esses dois itens implicam na construção de uma tarifa para o novo sistema que integrará metrô, BRTs e ônibus.

 “Não tem como nós publicarmos um edital sem termos um modelo de planilha tarifária. Nós temos um modelo (de cálculo), mas existem muitos processos pendentes no Tribunal de Contas... inclusive uma parte do passado da tarifa de ônibus. Tem uma cautelar que gerou uma ação judicial dos empresários que operam o sistema solicitando indenização de R$ 35 milhões, de 2012, em relação a alguns itens da planilha que foram retirados pelo Tribunal de Contas”, afirma.
A relação das empresas de ônibus com a prefeitura de Porto Alegre é peculiar. Não existem contratos e o relacionamento é regrado por uma série de leis e decretos municipais. Os operadores são permissionários e desde que foi criado o sistema não passou por nenhum processo licitatório. Mas apesar do atraso, Capelari, afirma que essa situação terá fim.

“O edital está praticamente pronto, o sistema, a inclusão do BRT (Bus Rapid Transit)... Falta concluirmos a questão da tarifa de integração do metrô, que é uma peça importantíssima, até porque, como Porto Alegre tem tarifa única, precisamos ter a tarifa de integração para poder calcular a do sistema”, afirma.

Segundo o secretário a licitação será feita por menor preço por bacia (região de operação), e através da tarifa individual se chegará a tarifa única, chamada de tarifa social. Entretanto, isso só poderá ocorrer a partir do momento em que se souber qual será o preço da passagem do metrô, que ainda está em fase de projetos, mas que deve ser apresentado em março.

Por Daniel Favero
Informações: Portal Terra

Sunday, December 29, 2013

Cinco novas estações do BRT Transoeste foram inauguradas neste sábado (28) para atender o bairro de Santa Cruz. O RJTV mostrou que, apesar da inauguração, as obras do sistema, que liga a região à Barra da Tijuca, estão atrasadas, já que deveriam ter terminado em janeiro de 2013. A previsão de término é para janeiro de 2014.  

O sistema de BRT Transoeste foi inaugurado em junho de 2012, com a presença do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. O sistema utiliza uma faixa seletiva para ônibus e faz embarque e desembarque apenas nas estações definidas.

Informações: G1 Rio

Friday, December 27, 2013

Fortaleza terá, até 2016, 131,5 quilômetros de corredores expressos para transporte público, incluindo as vias já em obras e os novos corredores que terão investimento do Programa de Aceleração do Crescimento 2, o PAC 2 (ver quadro). Hoje, de acordo com o secretário municipal da Infraestrutura, Samuel Dias, a Capital não possui nenhum quilômetro de corredor exclusivo para circulação de ônibus.

Samuel explica que os corredores existentes hoje na avenida Bezerra de Menezes (integrante do futuro BRT Antônio Bezerra/Papicu) são prioritários para o transporte público e não exclusivos. No local, ocorreu apenas o melhoramento viário com adequação na pavimentação, ciclovias e canteiro central. “Ainda falta a implantação das parada de ônibus no canteiro central e demarcação da faixa exclusiva. Até julho do próximo ano nós queremos que a (avenida) Bezerra de Menezes funcione como BRT”.


De acordo com Samuel - além do melhoramento viário e da sinalização -, um BRT (Bus Rapid Transit) é caracterizado por paradas especiais, instaladas no canteiro central das avenidas e que funcionam como estações. O usuário já deve pagar a tarifa antes de acessar o ônibus. Os coletivos, por sua vez, serão do mesmo nível de altura das paradas. “Assim, o embarque e desembarque é mais rápido, diminuindo o tempo das viagens”, explica. A frota também deve ser equipada com ar-condicionado e as linhas articuladas para ter mais capilaridade nos horários de pico.

Transporte público

Entre as novas vias que serão beneficiadas com implantação do BRT estão as avenidas Presidente Castelo Branco, Raul Barbosa, Vital Brasil, Aguanambi e Perimetral Para Gustavo Costa, arquiteto e urbanista, o atraso para a implementação do projeto é um dos grandes entraves no tráfego da Capital. “Uma das vantagens é facilitar o escoamento do tráfego. Esses corredores vão aliviar, pois facilitam o escoamento. Mas é uma solução de curto prazo. Nós precisamos é incentivar outros modais de transporte. O mais sensato é ter investimento nas formas alternativas. Isso implica melhorias na qualidade do transporte público”, explica.

O engenheiro de transporte Caio Henrique Leandro acredita que o BRT tem muito a contribuir no ganho de velocidade e tempo dos usuários. Mas, além da adequação das vias, é necessário ter um modelo de gestão adequado para o sistema. “Todos nós sabemos que simplesmente alargar as ruas e avenidas não resolve o problema da cidade. Temos que investir em transporte público. O BRT é uma opção interessante, mas não basta colocar o espaço físico para o ônibus andar. Esse transporte público tem que ter confiabilidade nos horários, limpeza e segurança. São condições para deixá-lo mais interessante que os outros modais”, afirma Caio.

Para 2014, explica o secretário Samuel Dias, a meta é ter pelo menos 30 quilômetros de BRT funcionando. Será o BRT Antônio Bezerra/Papicu e o chamado BRT da Copa. Os outros 96 quilômetros de corredores expressos para ônibus devem ficar prontos até 2016, sinalizou o gestor.

“Em 2014 já devemos ter os primeiros corredores funcionando. É o início da experiência, uma fase de transição. É necessário planejar o funcionamento das linhas de ônibus. Até o fim do próximo ano, vamos colher os primeiros frutos. Esses corredores são os primeiros e passam em zonas importantes da cidade”, pontua Samuel Dias.

Por Isabel Costa
Informações: O Povo Online

Thursday, December 26, 2013

A prefeitura do Rio de Janeiro inaugurou terça-feira (24) uma ponte estaiada na Barra da Tijuca que marca a conclusão de 85% do segundo corredor de ônibus articulados da cidade, o BRT Transcarioca. Batizada com o nome do cardeal dom Eugênio Salles (arcebispo da cidade durante 30 anos), a obra foi inaugurada com a presença do atual arcebispo, dom Orani Tempesta. Também foram entregues as obras de modernização do Terminal Alvorada.

A ponte, que cruza o canal de interligação das lagoas de Jacarepaguá e da Tijuca, já está aberta a veículos e deve receber os ônibus do BRT Transcarioca no primeiro semestre do ano que vem, quando começa a operação do corredor. A obra custou R$ 120 milhões e levou pouco mais de dois anos. Os quatro mastros de sustentação da estrutura têm altura equivalente a de um prédio de 16 andares. Deles saem 56 estais (cabos de aço).

"O BRT Transcarioca talvez seja o mais importante de toda a cidade, porque cruza o subúrbio e áreas já consolidadas. Não é só pelo impacto urbano. Ele muda a mobilidade na cidade", disse o prefeito Eduardo Paes. Os BRTs (bus rapid transit ou trânsito rápido de ônibus) são vias expressas exclusivas para transporte coletivo por meio de ônibus articulados.

O Transcarioca tem 39 quilômetros e liga o Terminal Alvorada ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim, na Ilha do Governador. Cerca de 320 mil pessoas devem usá-lo diariamente, enquanto o Transoeste é usado por 130 mil. O custo do corredor chega a R$ 1,7 bilhão, sendo R$ 1,1 bilhão em recursos do governo federal.

Os quatro BRTs do Rio têm previsão de conclusão em 2016, mas o Transbrasil, que liga o bairro de Deodoro, na zona oeste, ao centro, deve ficar pronto só no fim daquele ano, após as Olimpíadas. Paes acredita que a obra na Avenida Brasil, a principal via da cidade, não deve causar problemas à mobilidade nos Jogos, mas sim à população, durante os dois a três anos da construção.

O secretário municipal de Transporte, Carlos Roberto Osório, explicou que os 15% ainda não concluídos do Transcarioca estão localizados, principalmente, na Penha e na Ilha do Governador, e são essencialmente obras de arte (como as pontes estaiadas).

Segundo o secretário, a inauguração da ponte da Barra e sua abertura para carros vai aliviar o trânsito, mesmo sem o BRT: "A ponte elimina um sinal de trânsito complicado, que é um gargalo na chegada à Barra. E, com ela, o carioca ganha um monumento arquitetônico que diferencia e destaca a paisagem", ressaltou.

Wednesday, December 18, 2013

Uma das vias de maior fluxo de veículos de Salvador, o Iguatemi, passará por uma mudança a partir de janeiro. Segundo o prefeito ACM Neto, em entrevista à rádio CBN, o projeto, que antecede as obras do BRT Lapa-Iguatemi, com início em abril, pretende facilitar o tráfego na região.

"Na primeira etapa, de curtíssimo prazo, que vai acontecer no começo do ano que vem, nós vamos fazer um conjunto de mudanças de mão, de alargamento de via e de reposicionamento de faixas", disse o prefeito.

Neto completa que o problema do trânsito só será cessado após a segunda etapa do projeto, que inclui o sistema BRT (Bus Rapid Transit, na sigla em inglês) Lapa-Iguatemi. Serão feitas vias exclusivas de ônibus articulados e climatizados, três viadutos, cinco elevados e nove estações de embarque e desembarque.

Salvador terá R$ 600 milhões para BRT entre Lapa e LIP
O trecho será entre a estação da Lapa e o Iguatemi e passará pela avenidas Vasco da Gama, Juracy Magalhães e ACM. Além do sistema estar integrado aos corredores da Paralela ao aeroporto e da Pituba à orla.
A expectativa é de que os 8,6 km de avenidas que ligam os dois pontos seja feito em 16 minutos. A previsão é de que as obras sejam finalizadas no início de 2016.

A equipe de reportagem do Portal A TARDE entrou em contato com a assessoria da Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador), que informou que os detalhes das mudanças serão divulgados até o final da tarde desta quarta-feira, 18.

Tuesday, December 17, 2013

O sistema Bus Rapid Transit (BRT) está sendo implantado por etapas em Porto Alegre. Atualmente, segundo o engenheiro Rogério Baú, coordenador técnico da Secretaria Municipal de Gestão, estão sendo colocadas placas de concreto mais resistentes, já que o BRT tem uma estrutura mais pesada do que a dos ônibus convencionais. A instalação e a reformulação das paradas devem ocorrer até 2015, conforme Baú. A expectativa é de que algumas estações, localizadas na zona Sul da Capital, já entrem em funcionamento no final do ano que vem, mas o sistema só irá operar a pleno em 2015.

“As estações atenderão ao sistema BRT e terão diversas informações para os usuários. Esse sistema agrega o melhor do sistema do metrô, não só pela rapidez, mas pela capacidade de carregamento também, e o melhor do sistema de ônibus, que é a questão da flexibilidade das linhas”, explica. Com os BRTs, é possível, por exemplo, incluir novas vias e, assim, criar outras linhas, com uma facilidade muito maior do que em se tratando de metrô.

Após algumas mudanças no projeto inicial do sistema, houve especulações de que os corredores de ônibus não teriam espaço para as estações planejadas. A preocupação, contudo, não é fundamentada, de acordo com o engenheiro. “Todos os corredores que estão sendo implantados terão espaço para as estações. Não há com que se preocupar”, garante.

No total, serão quatro corredores exclusivos para o BRT, nas avenidas Bento Gonçalves, João Pessoa, Protásio Alves e Padre Cacique. A estrutura deve ser finalizada em 2014. O ônibus do sistema terá 23 metros de comprimento, capacidade total de 166 passageiros, sendo 62 sentados e 104 em pé, ar-condicionado, rampa de acesso, box para cadeirantes, duas saídas e câmera de monitoramento interno. A previsão inicial era de que as obras nos corredores das regiões Sul, na avenida Padre Cacique, e Leste, na avenida Protásio Alves, estivessem concluídos ainda neste ano, mas isso não deve ocorrer. 

Informações: Jornal do Comércio


Monday, December 16, 2013

Não há um dia útil sequer em que o belo-horizontino deixe de reclamar do tráfego de sua cidade. Engarrafamentos, filas duplas, lentidão, obras viárias, excesso de veículos, má gestão do trânsito e transporte coletivo de má qualidade, entre outros atropelos, deixam os nervos de motoristas, pedestres e passageiros à flor da pele e a esperança de soluções cada vez mais distante. Haverá saída? Em 15 de fevereiro, a prefeitura, por mioe da BHTrans, dará uma cartada considerada decisiva para reduzir pela metade o tempo de viagens de ônibus e melhorar a circulação. Nessa data entrará em operação, inicialmente no corredor da Avenida Cristiano Machado, o transporte rápido por ônibus (BRT), batizado aqui de Move. Para especialistas, no entanto, apenas essa iniciativa não resolve o problema e há muito mais para ser feito, começando por investimentos pesados em novas linhas de metrô e abrindo as portas para novidades, como o monotrilho.

No dia a dia, a população dá sinais de que quer menos demora no ponto de ônibus e nos deslocamentos pela cidade. Moradora do Bairro Saudade, a estoquista Arliane Alves Abranches, de 19 anos, reclama que os coletivos estão sempre cheios. “A gente trabalha muito e perde muito tempo entre a casa e o serviço. Além disso, a passagem é cara”, reclama a jovem, mãe de um menino de 1 ano e 7 meses. A extensão do metrô seria ideal, acredita, não só para resolver a vida do trabalhador de segunda a sexta-feira como também para levar a pontos de lazer. “Na verdade, queremos uma cidade boa para se viver, com praças e longe da violência. É essa a BH que desejo para o meu filho, que representa o futuro”, diz Arliane.
Na capital, está em operação, desde 1986, apenas uma linha de metrô, atualmente com 28,1 quilômetros, ligando a Estação Vilarinho, em Venda Nova, ao Bairro Eldorado, em Contagem, na região metropolitana. Há mais dois trechos em estudos e prospecções: da Estação Nova Suíça (a ser construída entre as estações Calafate e Gameleira, na Região Oeste) ao Barreiro; e da Lagoinha à Savassi. Engenheiro civil, urbanista e especialista em transporte urbano, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ronaldo Guimarães Gouvêa lamenta a falta de investimentos no metrô. “Com o BRT, os problemas estarão parcialmente resolvidos”, adverte. Para ele, o passageiro quer confiabilidade e a certeza de que estará no ponto e não vai esperar muito pelo coletivo.

Ciente de que a saída para os graves problemas de trânsito está na oferta de transporte público de qualidade, Ronaldo chama a atenção para a necessidade urgente de construção do Rodoanel, nos contornos Norte, Sul e Leste da Grande BH. Ele alerta ainda para a duplicação e revitalização do velho Anel Rodoviário, de grande importância estratégica para a capital e que, na verdade, “se tornou uma alça viária”.

As perspectivas do engenheiro de transporte e também professor da UFMG Paulo Rogério da Silva Monteiro são mais sombrias. “Se nada for feito para resolver o problema do trânsito, será o caos dentro de alguns anos. Quem fica hoje 20 minutos dentro do ônibus passará a ficar 40 e assim por diante”, projeta o especialista, que enaltece a criação das duas linhas executivas – uma ligando o Bairro Buritis, na Região Oeste, à Savassi, e a outra da Savassi à Cidade Administrativa, no Bairro Serra Verde, na Região de Venda Nova. “O BRT tende a melhorar a parte Norte de BH. O grande desafio é conseguir dar aos passageiros cativos do transporte coletivo mais qualidade. E atrair os motoristas de carros de passeio”, diz o professor.

Novos meios 

O coordenador de engenharia de transporte e trânsito da universidade Fumec, professor Márcio Aguiar, defende sistemas mais avançados para atender os passageiros, como os monotrilhos, existentes nos Estados Unidos, em cidades da Europa e em implantação em São Paulo (SP). “Por ser suspenso, exige poucas desapropriações, tem sistema elétrico e está dentro dos modernos conceitos de sustentabilidade”, diz. Além disso, avalia, há o aspecto econômico, já que o gasto com implantação é de um terço do custo do metrô, e de tempo. “Enquanto se constrói um quilômetro de linha de metrô por ano, constroem-se cinco quilômetros de monotrilho no mesmo período”, afirma. Com a sua experiência, ele destaca que o ônibus não deve ser a primeira opção em transporte de alta capacidade, mas sim um sistema complementar.

A frota de transporte coletivo em BH inclui 3,1 mil ônibus e 283 veículos suplementares. A expectativa com o Move é retirar de circulação, de forma gradativa, cerca de 200 coletivos, com o número caindo para 2,9 mil, diz o diretor-presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar. Ele se mostra tranquilo quanto ao sistema a ser inaugurado em dois meses: “O BRT não é passado, é futuro, tanto que Los Angeles, nos Estados Unidos, e a Cidade do México o adotaram com sucesso. Teremos aqui 700 mil passageiros transportados diariamente nas avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos e na área central”, afirma.

O dirigente diz que não existe “a” solução para o trânsito, e que o monotrilho, por exemplo, não seria adequado para a Avenida Antônio Carlos, mas indicado para outras, com menos movimento de passageiros, como a Tancredo Neves, na Região da Pampulha. “Já estamos trabalhando em um plano de mobilidade para depois de 2020, com a integração do metrô e BRT. Para antes disso, a empresa estuda a implantação do BRT no eixo da Avenida Amazonas, “sem necessidade de desapropriações”, e mais 100 quilômetros de vias exclusivas para ônibus, conclui.

Sou de BH

“Moro no Bairro Santa Cruz e trabalho no Palmares, ambos na Região Nordeste. Considero o trânsito um dos piores problemas da cidade, e para não perder tempo evito pegar ônibus. De carro, gasto 25 minutos. Se fosse de coletivo, levaria quase o dobro, mesmo com o trajeto não sendo muito longo. Com o BRT, vou deixar o carro em casa e confiar nesse novo tipo de transporte, que, afinal, está sendo feito com dinheiro público. Acredito que terei mais conforto, comodidade e economia. Nasci nesta cidade e quero o melhor para ela e para minha família. Espero aproveitar o tempo que se perde no trânsito com algo mais útil.” - Rodrigo Oliveira, cabeleireiro, casado e pai de dois filhos, morador do Bairro Santa Cruz, na Região Nordeste

Desafios

Investir na expansão do metrô de BH, com a construção das linhas 2 (Nova Suíça-Barreiro) e 3 (Lagoinha-Savassi)

Abrir as portas para novos transportes, como o monotrilho

Construir o Rodoanel, projetado para os contornos Norte, Sul e Leste da Região Metropolitana de BH, e duplicar o Anel Rodoviário

Oferecer transporte público de qualidade e atrair quem está acostumado a circular de carro

Integrar o BRT e o metrô

Metas apontadas por especialistas e autoridades em transporte e trânsito

Informações: Estado de Minas

Sunday, December 15, 2013

A BHTrans adiou a licitação para instalar radares em sistema de rodízio em 178 pontos espalhados pelas pistas por onde passarão os coletivos do transporte rápido por ônibus (BRT, da sigla em inglês). O adiamento vai atrasar a colocação dos equipamentos que fiscalizarão avanço de semáforo, excesso de velocidade e invasão das pistas exclusivas para os ônibus do BRT. Como não há previsão de quando a licitação será retomada, é grande a chance de a largada do BRT ser dada sem a presença dos fiscais eletrônicos, já que o corredores Cristiano Machado e Central começam a funcionar em 15 de fevereiro. 

Nesse caso, de acordo com a concorrência pública 05/2013, a tecnologia escolhida pela empresa vencedora não pode prever obras no pavimento. O adiamento foi publicado ontem no Diário Oficial do Município (DOM), em razão de “impugnações e questionamentos apresentados aos termos do edital” pelos interessados. Além do certame para vigiar o comportamento dos ônibus e, eventualmente, de invasores das novas faixas exclusivas, o outro edital destinado à ampliação dos radares de Belo Horizonte já havia sido adiado, no fim de novembro, pelas mesmas razões.


Junto com a operação dos ônibus do BRT, batizado de Move, a BHTrans apostava no funcionamento dos novos radares, divididos em dois blocos. Na concorrência pública 05/2013, lançada em 13 de novembro e adiada ontem, estavam previstos olhos eletrônicos em sistema de rodízio nas avenidas Pedro I, Antônio Carlos, Cristiano Machado, Paraná e Santos Dumont. Desse total, são 93 endereços fiscalizados ao mesmo tempo e outros 85 pontos com infraestrutura necessária para a mobilidade dos radares e mudança dos equipamentos quando for interesse dos gestores. 

Na ocasião em que o edital foi publicado, a BHTrans informou que “a detecção dos veículos infratores deverá ser feita por meio de equipamentos com tecnologia que registre a infração por radiofrequência, emissão de frequência luminosa e videomonitoramento”, ou usando outras estratégias que não representem obras no pavimento. Ninguém da empresa foi encontrado para comentar se os questionamentos apresentados têm relação com essa exigência, uma vez que o órgão gestor do trânsito na capital não pretende quebrar novamente as pistas de concreto recém-construídas. Todos os 94 ra dares fixos que operam hoje na capital usam o sistema de sensores no asfalto. Há ainda três aparelhos móveis em funcionamento na cidade. 

SEGUNDO ADIAMENTO 
Já na concorrência pública 04/2013, lançada em 18 de outubro e adiada em 20 de novembro, está prevista a instalação de equipamentos para fiscalizar 293 pontos, também no sistema de rodízio, na área de influência do BRT ou em avenidas importantes para o desempenho de todo o sistema integrado, como a Avenida Pedro II. Porém, nesse lote nenhum equipamento vai fiscalizar pontos nas pistas exclusivas de concreto. Os aparelhos são destinados às faixas normais, de circulação dos demais veículos, e também às pistas exclusivas criadas sem divisão física, a exemplo do que já existe na Avenida Nossa Senhora do Carmo e será expandido para outros corredores da cidade.

Como normalmente um processo licitatório desse tipo leva em torno de 90 dias para ser concluído, não será possível começar a multar os infratores ao mesmo tempo em que o BRT for inaugurado. Segundo a Secretaria Municipal de Obras da capital, o cronograma do novo sistema prevê que os corredores da Paraná, Santos Dumont e Cristiano Machado comecem a funcionar em 15 de fevereiro. O funcionamento na Avenida Antônio Carlos e na Estação Pampulha começa até 15 de março. Já as estações Vilarinho e Venda Nova vão operar a partir de 15 de abril, quando todo o sistema estará pronto. 

Por Guilherme Paranaiba
Informações: Estado de Minas

Thursday, December 12, 2013

A partir de sexta-feira, oito pontos do BRS de Copacabana vão contar com informações on-line sobre o tempo de percurso e de espera das linhas, atendendo a uma reivindicação dos passageiros que utilizam o sistema.


Trata-se de um teste que, se der certo, vai ser levado aos outros BRS da cidade a partir de janeiro, seguindo a data de inauguração de cada um. Os oito monitores, importados da China, custaram R$ 100 mil. Os equipamentos utilizam um software americano adaptado por brasileiros.

Segundo o presidente da Federação de Transportes do Rio de Janeiro (Fetranspor) e da Rio Ônibus, Lélis Marcos Teixeira, o mais caro do sistema é a manutenção. Preocupada com o vandalismo nos pontos, a Fetranspor equipou os painéis com GPS.

“Não há como utilizar ele de outra forma, como televisão, por exemplo. Acreditamos que a recepção dos usuários será muito boa e que os equipamentos serão preservados”, explica Lélis.

Essa foi uma das novidades do setor apresentada ontem, durante o Prêmio Mobilidade Urbana 2013 (PMU), organizado pela Fetranspor. Lélis ainda destacou que o passageiro tem mais opções para utilizar aplicativos que o ajude a monitorar as linhas de ônibus como o “Meu BRT”, que informa em quantos minutos o coletivo articulado vai chegar em sua estação, e o Moovit, que disponibiliza dados em tempo real das linhas de toda a cidade utilizando os sistemas da Fetranspor e do Centro de Operações do Rio de Janeiro.

Expansão

O BRT Transoeste vai inaugurar um novo trecho até o dia 28 de dezembro, entre a estação de Santa Eugênia, em Santa Cruz, até a estação Vilar Carioca, passando por Inhoaíba. Em janeiro, o trajeto completo será concluído com a finalização do trecho até Campo Grande. No sentido contrário, Lélis aguarda a licitação do trecho da Alvorada até o Jardim Oceânico para fazer a conexão com a futura estação de metrô no local.

Já a Transcarioca, que ligará a Barra ao aeroporto do Galeão, entrará em operação até abril no trecho até a Penha, na zona norte.

Aumento de passagens

Depois de participar de uma palestra no Copacabana Palace, o prefeito Eduardo Paes voltou a garantir que a tarifa de ônibus será reajustada para o ano que vem. “Depende de um modelo matemático que leva em consideração vários fatores. Vamos fazer as contas e anunciar [o valor] nos próximos 15, 20 dias”, disse Paes, enquanto um grupo protestava na porta do local.

Para Lélis Marcos Teixeira, as empresas ficaram descapitalizadas sem o reajuste de R$ 0,20 que seria realizado neste ano. “Quem poderia renovar uma frota de 200 ônibus não teve condições financeiras.”

Wednesday, December 11, 2013

Quem diria? Chicago, Las Vegas e Los Angeles, nos Estados Unidos, estão copiando cidades como Curitiba. Goiânia e a colombiana Bogotá. Pelo menos na criação em suas ruas de faixas especiais para ônibus, o chamado BRT (do inglês Bus Rapid Transit), que começou a ganhar o mundo com base na experiência latino-americana. O conceito não é novo. E uma tentativa de emular as características boas do metrô usando ônibus — e investindo um décimo do necessário para fazer um trem subterrâneo. A solução reúne faixas segregadas fisicamente do trânsito, estações fixas, embarque em nível, pagamento da passagem antecipado e veículos mais longos do que o normal. A novidade é que, nos últimos dez anos, o número de cidades que usam o BRT no mundo aumentou de 50 para 166 e essa opção se tornou quase unanimidade entre especialistas em transporte urbano.

“O BRT de Bogotá acabou com o mito de que o sistema não pode ser usado como transporte de massa, pois ele movimenta mais gente do que 95% das linhas de metrô”, disse o consultor colombiano Oscar Edmundo Diaz no EXAME Foram Sustentabilidade, evento que discutiu em São Paulo, no dia 19 de novembro, soluções para a melhoria da mobilidade urbana — e, por consequência, da qualidade do meio ambiente. Diaz é sócio da consultoria GSD Plus e colaborou na gestão de Enrique Peñalosa como prefeito de Bogotá, no fim da década de 90. período em que o Transmilênio, o BRT local, e dezenas de quilómetros de ciclovias foram feitos. A decisão política de Peiialosa seguiu um raciocínio simples: priorizar o transporte público em vez do individual, representado principalmente pelos carros. “Hoje. não vejo muita perspectiva de melhorar o transporte individual motorizado na cidade de São Paulo”, disse Fernando Haddad, prefeito da capital paulista, no encerramento do Fórum.
Pouco mais da metade da população mundial mora em cidades. Em 2050. a concentração será de 70%. No Brasil, a proporção de população urbana já é de 84%. Nos últimos anos. as cidades brasileiras vêm registrando um enorme aumento no número de carros. A consultoria Ernst&Young fez um estudo que projeta dois cenários para o transporte nas cidades até 2050. A notícia ruim é que a mobilidade pode piorar muito. Hoje, metade do transporte de pessoas no mundo é feita por carro. Se a evolução se mantiver constante, em 40 anos quase 70% dos deslocamentos serão feitos em automóveis. O resultado seria que cada pessoa perderia, em média, 106 horas anuais em engarrafamentos — o dobro de hoje. Mas, se as metrópoles usarem os mecanismos disponíveis para incentivar alternativas ao carro, a proporção pode mudar para 40% de pessoas se movendo com carros e 60% com transporte público, compartilhado ou a pé. O gasto com transporte seria reduzido de 12% do PIB global para 6% e 180 000 mortes no trânsito seriam evitadas todos os anos — c uma Araçatuba, do interior de São Paulo, salva por ano. “O mundo precisa de cidades compactas, integradas e includentes”, disse no fórum Elkin Velasquez, coordenador do Habitat, programa das Nações Unidas dedicado aos assentamentos humanos. A escolha de tirar espaço dos carros e entregar aos ônibus é um símbolo disso. Mas vai ser preciso muito mais para dar um salto qualitativo.

Sistemas como BRT e metrô miram atender o maior número possível de pessoas. Quando Velasquez diz que as cidades precisam ser compactas, refere-se ao adensamento das áreas que têm mais acesso a esse tipo de transporte: o de massa. E o que o Rio de Janeiro vem tentando fazer. Parte da cidade está sendo cortada pela via Transoeste, um BRT que liga os bairros da Zona Oeste à Barra da Tijuca. A inauguração da Transcarioca está prevista para o início de 2014. Em 2016, a zona norte receberá o Transbrasil. Uma ligação até o centro. Hoje. o metrô também já atravessa essa parte da cidade, onde há um grande número de casas. “Como a zona norte terá uma infraestrutura de transporte muito melhor, queremos aprovar um projeto para aumentar o gabarito de construção da região”, diz o prefeito do Rio, Eduardo Paes. “0 objetivo é adensar ainda mais o entorno das estações de BRT e metrô.” O Plano Diretor que a Câmara Municipal de São Paulo está discutindo parte da mesma premissa e avança em outro ponto vital para melhorar a mobilidade no longo prazo: o uso misto dos bairros. Melbourne, na Austrália, foi eleita pela consultoria Economist Intelligence Unit nos últimos três anos como a cidade mais “habitável” do mundo. Um dos principais quesitos é o equilíbrio entre prédios comerciais — onde estão os empregos — e residenciais, o que diminui a necessidade de mover as pessoas. “Medellín, na Colômbia, também dá exemplo de uso variado dos bairros”, diz Velasquez, da ONU. “O trânsito é disperso por vias paralelas e há um número crescente de parques e espaços públicos ao ar livre.”

Mas também há um conjunto de medidas de curto prazo que podem melhorar o transporte público. “Eu não consigo entender por que ainda não é difundido no Brasil o uso da Onda Verde nos semáforos para ajudar o fluxo dos ônibus nos horários de pico”, diz Gilberto Peralta, presidente da GE, fabricante de sistemas de controle e equipamentos elétricos. Ele se refere à solução que dá prioridade à passagem dos coletivos em cruzamentos e que é usada corriqueiramente em cidades pequenas, médias e grandes lá fora.

Pelo mundo, costuma ser parte fundamental dos sistemas de BRT, para garantir que os ônibus não percam tempo nos cruzamentos. Mas a tecnologia também pode ser utilizada em linhas de ônibus normais: um dispositivo “avisa” quando o ônibus está se aproximando do sinal para que seja aberto. Na lista de medidas simples também estão o piso baixo, no nível das calçadas, c as portas largas dos ônibus. Eles permitem que mais pessoas entrem com rapidez. “A redução do tempo de viagem com essas melhorias pode chegar a 30% do total”, diz Adalberto Maluf, diretor para São Paulo da Rede C40, grupo das cidades líderes no tema das mudanças climáticas do mundo.

Uma contribuição igualmente valiosa que a tecnologia pode dar está na difusão de informações. Que combinação de meios de transporte é mais apropriada para ir de um ponto a outro? É uma questão frequente para quem habita os grandes centros urbanos. São. afinal, dados que deveriam estar à mão. Londres, Singapura. Hong Konge Seul oferecem isso com eficiência e em tempo real. Essas cidades mapeiam as opções e indicam como o cidadão pode usai- combinações de metrô, trens urbanos, ônibus, bicicleta, táxis, caminhada e até estações de compartilhamento de veículos.

”Quando as prefeituras mapeiam as opções de transporte em detalhe, além de comunicar melhor aos usuários quais são as rotas possíveis, elas descobrem onde estão os pontos subatendidos”, diz Susan Zie-linsky, diretora do centro de pesquisa sobre mobilidade urbana Smart, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Usai- informações em tempo real pode ser determinante para planejar o controle do tráfego e acionai” rapidamente órgãos do governo quando acidentes acontecem. O Centro de Operações que a IBM montou para a prefeitura do Rio de Janeiro já é sincronizado com um aplicativo em que usuários compartilham informações sobre o transito. A ideia é que. quanto mais informações são coletadas, mais previsível se torna a forma como pessoas e veículos se movem. “Os dados coletados por GPS anônimos em carros e celulares permitem análises cada vez mais profundas”, diz Ulisses Mello, diretor de operações da IBM no Brasil. Com as tecnologias de hoje, já é possível saber que pontos de ônibus são mais utilizados a cada hora e, assim, modificar o trajeto dos coletivos.

Mas toda essa tecnologia não resolve uma questão inerente a qualquer rede de transporte complexa: a capilaridade. Os sistemas de informação sofisticados devem indicar e fomentar a integração e o uso dc mais opções. A boa e velha caminhada, por exemplo, não deve ser subestimada. “A cidade não pode ser feita só para veículos motorizados”, diz Oscar Diaz, da GSD Plus. “É preciso estudar o pedestre.” O prefeito de Nova York, Michael Bloomherg, parece ter entendido isso. Durante seu mandato de 12 anos, tomou várias medidas para tornar mais agradável a vida de quem anda pela cidade. Na intervenção com melhor custo-benefício. Bloomberg ampliou o tamanho das calçadas na região da Times Square e melhorou a sinalização. Conseguiu elevar 11% o número de pedestres da área e cortar 63% dos acidentes. Mesmo tirando faixas do transite), a fluidez dos carros no bairro. As cidades precisam fazer a opção entre gastar bilhões para ampliar os espaços públicos e se empenhar em aproveitar melhor os já existentes aumentou 18%. O custo: 1,5 milhão de dólares. “Se você der às pessoas um ambiente adequado para andar, elas vão escolher andar”, diz Helle Soholt. presidente do Gchl Architccts, escritório que auxiliou a prefeitura de Nova York na tarefa de dar mais espaço aos pedestres. Atualmente, o Gchl está elaborando um projeto para o centro de São Paulo com a prefeitura. Estima-se que 25% dos deslocamentos de pessoas na cidade são de. no máximo, 3 quilômetros. Caminhar ou pedalar seriam saídas ideais.

A mesma lógica do espaço para caminhadas, portanto, pode se aplicar ao uso de bicicletas. Em Bogotá, 370 quilômetros de ciclovias foram construídos desde a gestão de Enrique Peñalosa. Hoje. 5% da população se locomove diariamente com as bicicletas. O espaço para os ciclistas cm Bogotá é mais do que o dobro do disponível em São Paulo, onde as ciclovias são usadas basicamente para lazer. Se Bogotá já avançou, o que dizer de Amsterdã, onde a proporção dos que pedalam é de 60% da população todos os dias? E a prova de que a ideia de que as pessoas podem ir trabalhar todos os dias de bicicleta não é utópica. “Uma forma de incentivar é garantir que as estações de metrô, trens e BRT tenham bicicletários”. diz Adalberto Maluf, da C40.0 sistema de aluguel de bicicletas que já funciona em capitais brasileiras inspirou o setor automotivo, que também não quer um cenário de imobilidade maior ainda, mas que espera dobrar suas vendas nos próximos 30 anos. Sistemas de compartilhamento de veículos estão proliferando pela Europa e pelos Estados Unidos. O usuário pega um carro peno de tuna estação de transporte público e o devolve em vagas especiais perto de casa. E uma aposta de algumas montadoras. “O aluguel de carros para trajetos curtos é uma das saídas para completar a última milha dos trajetos, e acreditamos que essa solução pode pegar”, diz Philipp Schicmer, presidente da Mereedes-Benz no Brasil. A empresa alemã criou o sistema Car2go. de aluguel de carros em pequenas estações espalhadas por pontos estratégicos e já oferece o serviço em 25 cidades — a maioria na Alemanha e nos Estados Unidos.

Cidades do mundo inteiro estão se movendo para resolver os problemas de transporte e a ordem do dia é conseguir o melhor custo-benefício. ‘As cidades vão gastar bilhões tentando criar novos espaços públicos, como grandes avenidas e elevados, ou vão sc empenhar em usar melhor o que já existe?”, diz Paulo Custódio, consultor de transporte do Banco Mundial. A conclusão do EXAME Fórum é que a segunda opção é a que faz sentido.

Fonte: Revista Exame